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Esperar as eleições ou construir meu futuro?

Esperar as eleições ou construir meu futuro?

Esperar as eleições ou construir meu futuro?

A incerteza política pode exigir prudência, mas não deve se transformar em paralisia

Em períodos de eleição, é comum ouvir frases como:

“Vamos esperar para ver o que acontece.”; “Depois das eleições, teremos mais clareza.”; “É melhor não tomar nenhuma decisão agora.”; “Quando o cenário estiver definido, retomamos esse projeto.”

Essas afirmações parecem prudentes. Em determinadas situações, realmente pode ser sensato adiar uma decisão irreversível, revisar um investimento ou trabalhar com cenários alternativos. O problema começa quando a cautela deixa de ser uma ferramenta de gestão e passa a ser uma justificativa para a imobilidade.

Profissionais interrompem sua estratégia de carreira. Empresas adiam contratações, treinamentos, projetos de inovação e planos de expansão. Empreendedores engavetam ideias. Pessoas deixam de estudar, desenvolver relacionamentos, atualizar conhecimentos ou se preparar para novas oportunidades.

Todos ficam à espera de uma certeza que, provavelmente, nunca chegará por completo.

Uma eleição pode definir quem governará o país, influenciar políticas econômicas, prioridades públicas e expectativas do mercado. Mas ela não interrompe a passagem do tempo. Enquanto aguardamos, a tecnologia continua evoluindo, consumidores continuam fazendo escolhas, empresas continuam buscando eficiência e profissionais continuam se movimentando.

A vida não entra em recesso eleitoral.

A incerteza não nasceu hoje

Talvez tenhamos a impressão de que vivemos um momento excepcionalmente difícil. No entanto, quando olhamos para a história do Brasil, percebemos que o país nunca avançou em um ambiente de absoluta estabilidade.

Nos últimos 50 anos, o Brasil enfrentou inflação elevada, sucessivos planos econômicos, mudanças de moeda e grande insegurança sobre o futuro. Em 1994, a inflação acumulada ainda alcançou 916%. No ano seguinte à implantação do Plano Real, caiu para 22%, segundo o Banco Central.

Na crise financeira internacional de 2008, o Produto Interno Bruto brasileiro recuou 0,3% em 2009. No ano seguinte, porém, cresceu 7,5%, a maior taxa registrada desde 1986.

Mais recentemente, a pandemia produziu uma ruptura que nenhuma empresa, profissional ou governo havia previsto em seus planejamentos. O PIB caiu 3,3% em 2020 e cresceu 4,8% em 2021, recuperando a perda do ano anterior. Mesmo naquele cenário extremo, negócios foram transformados, novas atividades surgiram, o trabalho remoto avançou e milhões de pessoas aprenderam a produzir, vender, comprar, estudar e se relacionar de outras maneiras.

Esses exemplos não significam que toda crise será superada rapidamente, nem que seus efeitos serão iguais para todos. Muitas empresas encerraram suas atividades e muitas famílias enfrentaram consequências dolorosas. A lição é outra: mesmo nos períodos mais difíceis, a história não para. Enquanto algumas estruturas desaparecem, outras são construídas.

O custo invisível de esperar

Esperar também é uma decisão — e toda decisão tem um custo.

Quando um profissional interrompe sua preparação por seis meses, pode perder oportunidades para quem continuou desenvolvendo competências, ampliando relacionamentos e fortalecendo sua presença no mercado.

Quando uma empresa paralisa todos os projetos até que o ambiente esteja completamente definido, pode encontrar concorrentes mais preparados, equipes mais qualificadas e novas tecnologias já incorporadas ao setor.

Quando um empreendedor espera o “momento perfeito”, outro testa uma solução, conversa com clientes, corrige erros e aprende antes dele.

O maior risco da espera excessiva não é permanecer no mesmo lugar. É descobrir que o mundo continuou avançando e que, quando finalmente decidimos caminhar, já estamos alguns passos atrás.

O filósofo Sêneca nos ajuda a compreender o peso da antecipação: muitas vezes, sofremos mais com aquilo que imaginamos que poderá acontecer do que com os acontecimentos propriamente ditos. Quando transformamos possibilidades negativas em certezas antecipadas, passamos a reagir a um futuro que ainda não existe.

Preparar-se não é agir de forma imprudente. Preparar-se é criar opções.

Existe uma grande diferença entre avançar sem avaliar os riscos e preparar-se para diferentes possibilidades.

Uma empresa não precisa apostar todos os seus recursos em um único cenário. Pode trabalhar com alternativas: o que faremos se a economia crescer? O que mudaremos se houver retração? Quais investimentos são essenciais em qualquer situação? Que competências nossa equipe precisará independentemente de quem vencer?

O profissional pode fazer a mesma coisa. Talvez não seja o momento de abandonar imediatamente uma posição segura, mas certamente pode ser o momento de atualizar o currículo, melhorar o posicionamento no LinkedIn, estudar o mercado, desenvolver competências, reativar relacionamentos e construir um plano de carreira.

Quanto maior a preparação, menor a dependência de um único resultado externo.

A prudência saudável analisa riscos e continua trabalhando. A paralisia apenas observa os riscos crescerem.

O Brasil continuará trabalhando

Ganhe quem ganhar, no dia seguinte às eleições milhões de brasileiros acordarão cedo. Hospitais continuarão atendendo. Indústrias continuarão produzindo. Caminhões seguirão pelas estradas. Escolas abrirão suas portas. Empresas precisarão vender, comprar, contratar, atender clientes, controlar custos e inovar.

As pessoas continuarão precisando de moradia, alimentação, saúde, educação, transporte, segurança, entretenimento, comunicação e serviços financeiros.

O consumo poderá mudar de ritmo, de canal ou de prioridade, mas continuará existindo. E, onde existe uma necessidade humana, existe espaço para empresas, trabalho, inovação e empreendedorismo.

A tecnologia não pedirá licença

Independentemente do resultado eleitoral, a inteligência artificial continuará avançando. Novos modelos de trabalho surgirão. Processos serão automatizados. Algumas atividades perderão espaço e outras serão criadas.

Por isso, esperar pode ser especialmente perigoso neste momento. Quem interrompe sua aprendizagem não permanece com o mesmo conhecimento: torna-se progressivamente menos preparado para um mercado que continua mudando.

A pergunta, portanto, não deve ser apenas “o que acontecerá depois das eleições?”, mas também:

“O que estou fazendo hoje para estar preparado para o que vier depois delas?”

O futuro pertence a quem começa a construí-lo

Não sabemos exatamente como será o Brasil dos próximos anos, mas sabemos que a vida continuará.

Talvez seja necessário trabalhar mais. Talvez seja preciso rever estratégias, reduzir custos, mudar de direção ou aprender competências que hoje ainda não dominamos. O caminho poderá ser mais simples ou mais difícil, mas ele será percorrido de qualquer maneira.

A vantagem estará com quem chegar preparado.

Com o profissional que não abandonou seu desenvolvimento.

Com a empresa que continuou cuidando das pessoas, dos clientes e da inovação.

Com o empreendedor que observou as mudanças e enxergou necessidades ainda não atendidas.

Com quem não confundiu prudência com medo, nem planejamento com espera.

As eleições escreverão um capítulo importante da história do país. Mas não escreverão, sozinhas, a história de cada empresa ou de cada profissional.

Essa responsabilidade continua sendo nossa.

Na BVE - Brasil Vagas Executivas, acreditamos que carreira e futuro não devem ser conduzidos apenas pelas circunstâncias. Eles precisam de reflexão, estratégia, preparação e movimento.

O cenário pode mudar. Os obstáculos podem aumentar. Os planos podem precisar de ajustes. Ainda assim, haverá trabalho a realizar, problemas a resolver, pessoas a servir e oportunidades a construir.

O futuro não começa quando todas as incertezas terminam.

Ele começa quando decidimos não permanecer parados diante delas.

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